ESPAÇO PARA CELEBRAR

Qual é o centro do espaço de celebração

Regina Machado

Texto: MACHADO, Regina Céli de Albuquerque. Qual é o centro do espaço de celebração. Revista de Liturgia 186: O Sacramento da ordem. São Paulo: edição 186, novembro/dezembro de 2004, p. 26 – 28.

Esta dúvida existe e está presente na grande maioria das igrejas que tenho visitado a pedido de párocos e liderenças em busca de melhorar seus espaços.

Há uma verdadeira briga pelo centro das atenções dos fiéis e pelo centro geográfico dentro do espaço de celebração. Concorrem nesta briga a mesa da eucaristia, a cruz, o sacrário,a imagem do santo e da santa padroeira e a cadeira da presidência. Muitas vezes, até os arranjos de plantas e flores entram nessa concorrência. Na confusão não se vê mais nada e tudo perde a importância, simbologia e sacralidade.

Nos cursos e palestras que tenho dado há anos, esta pergunta sempre aparece na plateia: o que deve ficar no centro? A presidência? A cruz? A padroeira? O sacrário? O altar?

O espaço celebrativo é o lugar privilegiado da ação litúrgica. A liturgia renovada no Concílio Vatino II privilegia uma liturgia orante, comunitária, popular, inculturada, aberta ao ecumenismo, libertadora e centralizada no Mistério Pascal de Cristo. O centro é o Cristo! Centro da liturgia, centro da vida cristã, centro do espaço celebrativo. Não há dúvida quanto a isso.

Um espaço bagunçado, confuso, sem unidade e harmonia dificulta o desempenho dos ministros e ministras e a participação da assembleia. Cada coisa deve ter seu lugar. Não é apenas o centro geográfico do espaço que é nobre, um espaço lateral ou um canto pode se tornar um local tão nobre quanto o centro. É importante garantir a unidade do conjunto.

A instrução Geral do Missal Romano (257) diz que “é preciso que a disposição geral do lugar sagrado esteja estruturada de tal maneira que possa apresentar a configuração da assembleia reunida e permita a participação disciplinada e orgânica de todos, favorecendo o desenvolvimento regular das funções de cada um”. Diz ainda que “o altar no qual se torna presente, através dos sinais sacramentais, o sacrifício da cruz, é também a mesa do Senhor, da qual o povo é convidado a participar, quando é convocado para a missa: o altar é o centro da ação de graças, que e cumpre com a eucaristia” (IGMR 259).

O altar “deverá também ser colocado de forma a constituir de fato o centro para o qual converge a atenção de toda a assembleia” (IGMR 262). É desta forma que presbíteros e fiéis são verdadeiramente circunstantes, eretos ao redor do altar, como diz o antigo cânone romano, a legislação sobre o altar, o Codex iuris canonici, cânones 1235 – 1239. É a constituição dogmática Sacrossanctum Concilium (n.14) faz menção de um só altar, assim como o Código de Direito Canônico.

A mesa da Eucaristia, que é venerada como uma inclinação, um beijo e/ou incensação é única como único é o Cristo. Essa mesa que não tem frente, nem costas, nem lugares, privilegiados é o centro para o qual converge a Igreja em partilha e comunhão.

O CENTRO NO PROJETO PARA O SANTUÁRIO MARIANO DAS AMÉRICAS

Acabamos de conceber um espaço de celebração que será construído em Miami, o Santuário Mariano das Américas, que é um exemplo de radicalidade do altar como centro do espaço de celebração, sem esquecer todos os outros elementos importantes do ponto de vista simbólico e litúrgico. E sem esquecer que o espaço é dedicado a Maria.

A chave da teologia mariana na Igreja está na dimensão da maternidade de Maria. É a própria Maria que se manifesta em Guadalupe, pedindo que se construa uma casa: “Desejo vivamente que se erija aqui uma casa, para nela mostrar e dar todo o meu amor, compaixão, auxílio e defesa, pois eu sou vossa piedosa mãe, a ti, a todos os moradores desta terra e a todos os outros que se amam, me invocam e confiam em mim; ouvir ali seus lamentos, e remediar todas as suas misérias, penas e dores”.

O Santuário Mariano das Américas se inspira na Maria, Mãe Guadalupana, inserida na cultura americana de raízes astecas, na Maria-Mãe dos pobres que no Magnificat mostra ser toda de Deus, consciente da história, das lutas e das esperanças do seu povo.

Uma grande abóbada é o símbolo da grande Mãe que acolhe seus filhos com carinho e calor, e os cobre e protege com seu manto. É nesse regaço que seus filhos procuram abrigo e forças para viver melhor. É a mãe que acolhe a todos como filhos que devem se relacionar como irmãos na solidariedade e na ajuda fraterna.

  1. A CÚPULA

Maria, Mãe, Mulher, “grávida do Espírito Santo” (Mt 1,18). O próprio templo é Maria, templo da Vida, lugar da revelação de Deus “sacrário do Espírito Santo” (LG 53/141).
Maria, mãe e mulher está ligada ao mistério da vida.
A curva, o círculo – forma perfeita – evoca o feminino e traduz harmonia e unidade. O espaço do Santuário deve ser como o ventre de uma mãe que acolhe e forma seus filhos na fé, na justiça, na fraternidade, na paz.

  1. A COLUNA

A curva se abre para receber uma coluna que fará a ligação do céu com a terra e marcará o centro do espaço. Esta coluna une o céu à terra, como escada do sonho de Jacó, que “apoiando-se na terra, tocou como cimo o céu”. (Gen 28,12). A coluna é como o Espírito que penetra Maria, fecundando toda a raça humana e a própria terra. “Maria não é um instrumento meramente passivo, ela coopera para salvação humana com livre fé e obediência” (LG 56/144).

  1. O ALTAR

O centro da vida de maria é seu filho Jesus, que é o centro da vida da Igreja. E no santuário, o altar é o único e central como o próprio Cristo, lugar do encontro e da aliança entre Deus e o seu povo. “Já não sois hóspedes nem peregrinos, mas sois concidadãos dos santos e membros da família de Deus, edificados sobre os apóstolos e os profetas como fundamentos, sendo o próprio Crito Jesus a pedra angular. É nele que todo edifício, hamonicamente disposto, se levanta para ser um templo santo no Senhor. É nele que também vós outros entrais em conjunto, pelo Espírito, na estrutura do edifício que se torna a habitação de Deus” (Ef 2,19-22).

  1. A CRUZ

A cruz é o símbolo do Mistério Pascal, dolorosa, mas gloriosa. O divino vertical é cortado pelo limite humano do horizonte. Símbolo de centro e universalidade.
A cruz também abençoa, coloca a Igreja juntamente com seu Redentor e diviniza o lugar em nome de Deus, Filho e Espírito Santo. A cruz de Cristo, que plantada na terra, santifica o mundo, marca o centro do Santuário, atraindo de longe o peregrino. “(…) ele que de dois povos fez um só, destruindo o muro de inimizade que os separa… (…) ele queria fazer em si mesmo dos dois povos uma única humanidade… e reconciliá-los com Deus, reunidos num só corpo pela virtude da cruz…” (Ef 2, 14-16).

  1. CORTE

Nas laterais estão 28 painéis com mosaicos das várias padroeiras, inseridas na realidade histórica de cada país, fechando o espaço, sustentando a cobertura e abraçando a assembleia. Assim todas as nações do Continente estão representadas através das várias denominações de Nossa Senhora. Ao redor do altar, que é o Cristo, se reúne toda a comunidade de peregrinos, cercados pelas diversas denominações de Maria, cobertos pelo manto da Virgem de Guadalupe, padroeira das Américas.
Uma abertura no alto permite a saída do ar quente e possibilita a entrada de luz natural sobre o altar, no qual todas as nações e todos os fiéis têm seu lugar igual. Não há frente e costas, primeiro e último, como na Jerusalém Celeste, onde o lugar de todos está garantido.

  1. PLANTA BAIXA

O centro é o Cristo, centro de nossa vida, centro do Santuário. O círculo, forma perfeita, é a Mãe Maria, o abraço da mãe, a barriga da mãe, limitando o espaço do Santuário. Uma grande abóboda cobre todo o espaço. No centro está o presbitério com a cadeira da presidência e a estante da Palavra de cada lado do altar. A assembleia se reune em círculo e em diversos patamares, facilitando a participação e a acústica. Quatro grandes corredores em rampa formam uma cruz representando os quatro pontos cardeais, os quatro cantos da terra, a geografia do continente, convergindo para um único lugar. Em toda a volta, um grande corredor, que recebe os peregrinos, funciona como atrium e dá acesso ao pavimento inferior por rampas onde estão a capela do Santíssimo, a sacristia e os diversos serviços.

Regina Céli de Albuquerque Machado é arquiteta e estudou teologia no Instituto Lumen Vitae de Bruxelas. Trabalha desde 1984 com pastoral e arquitetura religiosa. Estudou liturgia e durante 5 anos deu aula sobre o Espaço Litúrgico nos cursos de pós-graduação em liturgia da Faculdade Nossa Senhora da Assunção em São Paulo. Escreveu dois livros pelas Paulinas: O Local da Celebração – Arquitetura e Liturgia e O Espaço da Celebração.

ESPAÇO PARA CELEBRAR

REVISTA nº 175: ESPAÇO PARA CELEBRAR, PÁGINAS DE 8 A 10

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  1. PARA COMEÇAR O ASSUNTO

Regina Machado

Há algo errado no espaço das igrejas. Parecemos estar perdidos e inseguros, sem saber o que pode ou não pode ser feito, se isto ou aquilo é bonito, o que pode ou não pode ser usado num espaço litúrgico.

Mas parece que houve época em que as pessoas da Igreja sabiam o que fazer, o que usar, que tipo de decoração escolher, que música tocar. É ou não é?

Fico impressionada com as dúvidas que padres e bispos, agentes de pastoral, liturgos e arquitetos têm. Coisas absurdas saltam aos olhos de alguns, mas não absolutamente normais para outros. É assim que vemos padres aspergindo água benta com vassourinha de limpar vaso sanitário ou pendurando cartazes não importa onde como fazem os candidatos a cargos públicos.

Não tenho condições de dizer com certeza a razão de termos chegado a tal crise. Há uma crise estética geral é verdade, em todas as áreas, não só dentro da Igreja. Há coisas boas também, mas tem vencido a maioria brega, feia, emburrecedora.

Há flagrante falta de formação cultural do clero. E a instituição não parece preocupada com a formação artística e litúrgica.

Alguns argumentarão que isso é problema menor dentro de um quadro social e eclesial no mínimo difícil. Como se preocupar se devemos usar flor de plástico ou flor natural, se aspergimos com um galho de planta ou com vassourinha sanitária, com tanta gente passando fome, com jovens se matando e a corrupção correndo solta.

Está justo aí o problema no meu entender. Enquanto separarmos da vida, do dia a dia, o prazer dos sentidos, estaremos fadados ao fracasso nas áreas compreendidas como mais importantes da vida. Enquanto não casarmos ética e estética vamos chover no molhado.

É por isso que estamos iniciando na Revista de Liturgia este tema. Para que possamos juntos descobrir a razão da crise e para que possamos construir espaços que correspondam à espiritualidade cristã de hoje, lugares que encontrem eco no mais profundo de nosso ser, e que possam nos fazer melhores, espaços pedagógicos que construam seres humanos mais éticos, mais felizes, mais inteiros, mais justos, mais amorosos. Espaços que dão prazer aos sentidos. Espaços belos, porque só no belo o divino se revela. Espaços coerentes com seu uso e sua função. Espaços que respeitem o ser humano.

Esta coluna teremos sempre um texto com um tema a ser desenvolvido. Haverá uma quadro para um resumo do que foi dito, com os principais destaques, com dicas de coisas que nunca devem ser feitas, com sugestões e observações.

Haverá sempre uma foto ou um desenho para ilustrar o que estamos dizendo.

E o endereço da autora para que os leitores possam se comunicar e participar da coluna, darem sugestões, tirar dúvidas, fazer críticas. Todos devem se sentir à vontade para opinar, o que só vai enriquecer a coluna. E espero poder dar resposta a todos.

Por que nossas Igrejas estão tão feias?

Na introdução eu disse que a maioria das igrejas são feias, falta estética e que, pior, a maioria dos envolvidos, padres, bispos, religiosas e fiéis, não sabem onde está o problema ou como resolvê-lo.

Sinto que eles sabem que algo não está bom, se sentem incomodados com o espaço, mas não sabem por quê ou o quê fazer. Muitas vezes, a solução encontrada é ainda pior, no afã de embelezar o local, introduzem uma série de coisas, decorações, cortinas, objetos devocionais, pinturas, que atrapalham em vez de ajudar. É assim que encontramos espaços como o da igreja da fotografia. Cada novo pároco que chegava querendo melhorar e tornar mais bonito o local, foi enchendo de coisas que tornaram o ambiente carregado e muito feio.

Na foto acima, o interior da Igreja Paroquial Nossa Senhora de Loreto, vista do presbitério antes da reforma. Na foto abaixo, vista do presbitério depois da reforma.

Nesta foto de antes e depois da reforma fica claro qual foi o trabalho necessário para resolver o problema. Limpeza! De pronto ficou claro que o problema principal era o acúmulo de coisas, objetos, pinturas, imagens, cortinas, cores, mobiliário, que escondiam o essencial e prejudicavam o desempenho do ato litúrgico. Além de deixarem o fiel tão distraído que não conseguia participar nem entrar no clima da celebração.

Neste caso, as paredes baixas do fundo, que foram construídas para se criar atrás um acesso à secretaria e sacristia, foram elevadas até o teto para não parecerem paredes divisórias de banheiro de rodoviária. Tudo foi retirado e deixado apenas as peças necessárias à liturgia: mesa da eucaristia, mesa da palavra, cadeiras de presidência e acólitos, estante, a cruz de fundo e o sacrário por opção da comunidade.

Não se trata aqui de discutirmos o que é mais ou menos bonito, não se trata de gosto pessoal. Não há o que discutir. O que havia antes prejudicava a celebração e participação, escondia as peças litúrgicas principais e que simbolizam o próprio Cristo. Não havia unidade, a mistura de coisas, formas, cores, estilos criava o caos, a confusão, impossíveis de serem conciliadas com a realidade da fé e a verdade do Evangelho que ali se anuncia. Não há aqui nada de subjetivo, trata-se de conhecer as necessidades litúrgicas e pronto.

COMO NOSSAS IGREJAS PODEM SER MAIS BONITAS E FUNCIONAIS?

Todas as comunidades cristãs necessitam de um local de reunião para as celebrações litúrgicas. Às vezes esses espaços são improvisados, e, em princípio, “qualquer lugar serve”, mas não de qualquer maneira. Há objetivos a serem almejados: há princípios fundamentais a serem levados em conta. Um dos princípios ou regras fundamentais é de que o local não seja apenas funcional, mas expresse o mistério: o mistério de Deus, de Jesus Cristo, do Espírito Santo, da Igreja-comunidade, da liturgia, de nossa vida, da sociedade, do mundo, do cosmos. Este é o programa a ser cumprido.

O local a ser construído ou reformado deve estar a serviço da liturgia e da pastoral: ser pedagógico e incentivar a participação de todos; funcional e, ao mesmo tempo, expressar o mistério.

A arquitetura deve estar a serviço da liturgia e da teologia criando um local de celebração que seja sinal da nova humanidade. Que revele um outro mundo em contraponto ao mundo da competição, do mercado, da exclusão. Um mundo de fraternidade e comunhão. De solidariedade e partilha. De silêncio e recolhimento. Um lugar que ajude a comunidade a viver a comunhão e a justiça, negando as rivalidades, a indiferença, o individualismo e a exclusão.

A Igreja é o lugar privilegiado da celebração litúrgica dominical, e de outras celebrações, como o batismo, o matrimônio, a primeira eucaristia, a reconciliação, a ordenação. O lugar deve ser funcional possibilitando a realização de todos os ritos de forma prática e confortável, favorecendo e convidando todos à participação. As pessoas devem poder ver com facilidade, escutar bem, poder estar sentadas com conforto, o local deve ser iluminado adequadamente, bem ventilado, e os bancos devem ser colocados de forma circular se possível, para que uns vejam os outros e possam participar com mais facilidade.

“Para celebrar a eucaristia, o Povo de Deus se reúne na igreja ou, na falta desta, em outro lugar conveniente, digno de tão grande mistério. As igrejas e os demais lugares devem prestar-se à execução das ações sagradas e à ativa participação dos fiéis. Além disso, os edifícios sagrados e os objetos destinados ao culto sejam realmente dignos e belos, sinais e símbolo das coisas divinas” (IGMR 253).

Regina Céli de Albuquerque Machado é arquiteta e estudou teologia no Instituto Lumen Vitae de Bruxelas. Trabalha desde 1984 com pastoral e arquitetura religiosa. Estudou liturgia e durante 5 anos deu aula sobre Espaço Litúrgico nos cursos de pós graduação em liturgia da Faculdade Nossa Senhora da Assunção em São Paulo. Escreveu dois livros pelas Paulinas: O local da Celebração: Arquitetura e Liturgia e O Espaço da Celebração.

Uma leitura espiritual da Construção da Comunidade das Pias Discípulas em Cabreúva, SP

Quando os Romanos tomavam posse de algum lugar, o primeiro gesto era marcar o espaço através de dois sulcos na terra, obedecendo os pontos cardeais Norte-Sul – Leste-Oeste (Cardus e Decumanus). Este complexo arquitetônico também foi estruturado a partir destes eixos. A capela e os refeitórios se situam no eixo Norte-Sul.

Estes espaços materializam o que é fundamental e básico para a nossa vida de religiosas e Discípulas: o seguimento de Jesus e a vida Comunitária.
Da nossa comunhão com o Senhor aprendemos a ser discípulas e viver na comunhão. Este é o nosso Norte…


A capela é o centro, o primeiro de todos os espaços.
Do acesso, já temos indicado pelo muro de pedra e pelo piso um percurso, um caminho… Aqui todos nós somos peregrinos, orientados para o Senhor. Este caminho nos remete também à realidade escatológica da nossa vida, da nossa assembléia.
A capela, um grande quadrado, nos lembra a Jerusalém Celeste. Diz o Apocalipse: A cidade é quadrada… A cidade santa cercada por alta e grossa muralha… As pedras são ainda imagem do verdadeiro templo do Senhor, que somos nós pessoas…
Como diz o Apóstolo Pedro: Vocês, como pedras vivas, vão entrando na construção do templo espiritual e formando um sacerdócio Santo (1Pe2,5).
Nós somos a comunidade autêntica de pedras vivas, que o senhor constrói e edifica pela palavra e pela Eucaristia.

A forma quadrada possui ainda um simbolismo cósmico relacionando aos quatro pontos cardeais.


A capela volta-se para oriente, e no oriente encontramos o Cristo Glorioso e o altar.
O Cristo é o sol que nasce e vem nos visitar. É a luz que vem do alto. Esta luz também nos remete à luz da criação, a luz do 1º dia, e a luz do 8º dia, o da ressurreição.
… Levanta os teus olhos e vê.
Somos chamados a voltar-nos para esta luz para “ver” no sentido bíblico; fazer a experiência de Deus.
O altar e o ambão são os dois pólos deste espaço.

O altar de pedra símbolo de Cristo; “petra autem erat Christus” (1Cor10,4).
É Ele a pedra, a rocha de salvação; a pedra que os construtores rejeitaram e que se tornou a pedra angular (At 4,11).
A palavra, está na entrada… Isso didaticamente manifesta um culto que é progressivo… e também a ressonância que a palavra proclamada deve ter na assembléia… A palavra se faz carne em nós. Manifesta ainda o Cristo Ressuscitado que está no nosso meio e se apresenta e nos saúda: “Paz a vocês”.
O painel retoma a simbologia apocalíptica. Cristo no centro da cidade Santa, a Jerusalém do Céu. Ele se apresenta como o que ensina… Dizia o fundador… “Dalla catedra Lui ci amaestra”. Da cátedra ele nos ensina.
Ele é o Caminho a Verdade e a Vida, definição dada pelo próprio Jesus a Felipe, frase que encerra o núcleo da nossa espiritualidade como discípulas e como Família Paulina.
A árvore da vida é ao mesmo tempo uma videira. Arraigados em Cristo produzimos frutos; outro texto muito querido do fundador. “Vocês Também não poderão dar fruto, se não ficarem unidos a mim” (Jo 15,4).
A espiritualidade, a vida religiosa entendida como irradiação. Acolher o Cristo e levá-lo ao mundo como dizia Inácio de Antioquia: sermos TEÓFOROS. Produzir frutos “doze vezes por ano”. (Ap.22,2)
A cidade é uma cidade iluminada pela glória do Senhor, representada nesses raios de luz… Nessa cidade nova não há noite, mentira, abominação… (Ap.21,21,27).
Temos o deambulatório. Espaço que vela e desvela, espaço de transição: do “já é” e do “ainda não”, sugerido pela dimensão escatológica da liturgia e de toda caminhada espiritual de cada um de nós.


Lá fora está uma fonte de água que jorra, lembrando-nos o batismo, a vida nova que recebemos, a nossa inserção na comunidade, e o desejo de purificação que sentimos ao apresentar-nos diante do Senhor.
Neste espaço a natureza está conosco: a luz, o fogo, a água, a relva, a terra. O Salmo 19 recorda que existe o louvor de toda a criação, que não é feito de palavras, mas que se eleva com o fluir do tempo.
Este é um espaço simples, vazio… gostaria de citar Guardini: “Que o vazio provocado pela falta de imagens seja em si mesmo uma imagem”.

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