Quando os Romanos tomavam posse de algum lugar, o primeiro gesto era marcar o espaço através de dois sulcos na terra, obedecendo os pontos cardeais Norte-Sul – Leste-Oeste (Cardus e Decumanus). Este complexo arquitetônico também foi estruturado a partir destes eixos. A capela e os refeitórios se situam no eixo Norte-Sul.

Estes espaços materializam o que é fundamental e básico para a nossa vida de religiosas e Discípulas: o seguimento de Jesus e a vida Comunitária.
Da nossa comunhão com o Senhor aprendemos a ser discípulas e viver na comunhão. Este é o nosso Norte…


A capela é o centro, o primeiro de todos os espaços.
Do acesso, já temos indicado pelo muro de pedra e pelo piso um percurso, um caminho… Aqui todos nós somos peregrinos, orientados para o Senhor. Este caminho nos remete também à realidade escatológica da nossa vida, da nossa assembléia.
A capela, um grande quadrado, nos lembra a Jerusalém Celeste. Diz o Apocalipse: A cidade é quadrada… A cidade santa cercada por alta e grossa muralha… As pedras são ainda imagem do verdadeiro templo do Senhor, que somos nós pessoas…
Como diz o Apóstolo Pedro: Vocês, como pedras vivas, vão entrando na construção do templo espiritual e formando um sacerdócio Santo (1Pe2,5).
Nós somos a comunidade autêntica de pedras vivas, que o senhor constrói e edifica pela palavra e pela Eucaristia.

A forma quadrada possui ainda um simbolismo cósmico relacionando aos quatro pontos cardeais.


A capela volta-se para oriente, e no oriente encontramos o Cristo Glorioso e o altar.
O Cristo é o sol que nasce e vem nos visitar. É a luz que vem do alto. Esta luz também nos remete à luz da criação, a luz do 1º dia, e a luz do 8º dia, o da ressurreição.
… Levanta os teus olhos e vê.
Somos chamados a voltar-nos para esta luz para “ver” no sentido bíblico; fazer a experiência de Deus.
O altar e o ambão são os dois pólos deste espaço.

O altar de pedra símbolo de Cristo; “petra autem erat Christus” (1Cor10,4).
É Ele a pedra, a rocha de salvação; a pedra que os construtores rejeitaram e que se tornou a pedra angular (At 4,11).
A palavra, está na entrada… Isso didaticamente manifesta um culto que é progressivo… e também a ressonância que a palavra proclamada deve ter na assembléia… A palavra se faz carne em nós. Manifesta ainda o Cristo Ressuscitado que está no nosso meio e se apresenta e nos saúda: “Paz a vocês”.
O painel retoma a simbologia apocalíptica. Cristo no centro da cidade Santa, a Jerusalém do Céu. Ele se apresenta como o que ensina… Dizia o fundador… “Dalla catedra Lui ci amaestra”. Da cátedra ele nos ensina.
Ele é o Caminho a Verdade e a Vida, definição dada pelo próprio Jesus a Felipe, frase que encerra o núcleo da nossa espiritualidade como discípulas e como Família Paulina.
A árvore da vida é ao mesmo tempo uma videira. Arraigados em Cristo produzimos frutos; outro texto muito querido do fundador. “Vocês Também não poderão dar fruto, se não ficarem unidos a mim” (Jo 15,4).
A espiritualidade, a vida religiosa entendida como irradiação. Acolher o Cristo e levá-lo ao mundo como dizia Inácio de Antioquia: sermos TEÓFOROS. Produzir frutos “doze vezes por ano”. (Ap.22,2)
A cidade é uma cidade iluminada pela glória do Senhor, representada nesses raios de luz… Nessa cidade nova não há noite, mentira, abominação… (Ap.21,21,27).
Temos o deambulatório. Espaço que vela e desvela, espaço de transição: do “já é” e do “ainda não”, sugerido pela dimensão escatológica da liturgia e de toda caminhada espiritual de cada um de nós.


Lá fora está uma fonte de água que jorra, lembrando-nos o batismo, a vida nova que recebemos, a nossa inserção na comunidade, e o desejo de purificação que sentimos ao apresentar-nos diante do Senhor.
Neste espaço a natureza está conosco: a luz, o fogo, a água, a relva, a terra. O Salmo 19 recorda que existe o louvor de toda a criação, que não é feito de palavras, mas que se eleva com o fluir do tempo.
Este é um espaço simples, vazio… gostaria de citar Guardini: “Que o vazio provocado pela falta de imagens seja em si mesmo uma imagem”.

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